terça-feira, 13 de julho de 2010

TCHUTCHUCA


Quando a vi em um canto da sala não me senti muito confortável. Uma intrusa trazida à revelia por minha filha, já que quando fui consultado sobre esta nova hospede permanente, fui categórico: já temos problemas demais. Ela vai ser mais uma razão pra consumir nosso tempo e nosso sossego. Foi tudo em vão. Não me ouviram! Que droga! Passaram por cima da minha autoridade de comandante do lar. Não foi levada em conta a oposição de um pai que se declarava sobrecarregado e, portanto, não tinha fôlego pra administrar qualquer novidade, mesmo que ela pesasse pouco mais de cem gramas e medisse pouco mais de quinze centímetros. Contudo lá estava ela, eu a olhava de viés sem saber onde eu a colocaria dentro de mim, já que ela por força das conseqüências estava dentro da minha casa. O pior é que, quando me dei por entendido, a recém chegada, já tinha nome e endereço. Tchutchuca era nome. O endereço, minha casa. Frente ao que venho narrando, dá pra ver que não era uma dançarina dos bailes funks. Na verdade tratava-se de uma cadelinha da raça pinscher que nos meses que se seguiram revelou-se um instrumento de Deus pra quebrar a monotonia que se instalava, e até mesmo restaurar a alegria do nosso lar cristão. Dizem que depois de quatro décadas vividas o ser humano descobre que os animais são anjos que descem dos céus pra nos fazer companhia ou mesmo alegrar nossas vidas. Pode até ser verdade. Só que o termo “anjo” nem sempre combina com nossa tchutchuca. A grosso modo posso dizer que ela algumas vezes é quase o oposto disso. Tchutchuca é fujona, devoradora de tudo que possa ser devorado, sobe no sofá com as patas sujas de barro do jardim, além de não deixar ninguém sossegado. Apesar de tudo nós nos apaixonamos por ela. Pois é! Estou me incluindo nesta lista de fãs. Logo eu que fui declaradamente contrário a esta adoção. Você pode estar pensando: Se ela é problema como pode ter fãs. A questão é autenticidade. É pureza. É dar muito sem pedir nada em troca. Eu mesmo gostaria de receber minha esposa e meus filhos no portão sempre de maneira festiva como faz tchutchuca todos os dias. Pra nós, a festa que ela faz todos os dias no portão, diante da nossa chegada, não chega ser novidade. Mas pra ela, a nossa chegada é sempre uma apoteose. É sempre algo novo, digno de uma grande festa. E quando chega um desconhecido?! Aí é encrenca na certa. A reação é fulminante. Que fera!!!! Defender a família passa ser prioridade absoluta. Mesmo que seu oponente pese setenta vezes mais. Sim porque tchutchuca pesa hoje pouco mais de um quilo, isto de estomago cheio. Como tenho aprendido com ela. Como tenho a aprender com o silêncio do seu olhar atento. Como tenho a aprender com sua fidelidade grata e inegociável. Basta um pequeno gesto de algum membro da nossa família, pra ela se colocar de pé como quem diz: “eis-me aqui pra te fazer feliz”. Às vezes perdemos a paciência com ela, afinal ninguém é de ferro. Quando isto ocorre, ela, frente ao seu precário entendimento, afasta-se humilhada com certeza sem saber onde de fato errou. Contudo, basta que quem a humilhou tenha um pequeno gesto de aprovação, pra no minuto seguinte ela exercitar o perdão como ninguém. Perdoa e com certeza se perdoa também, porque quem não se perdoa se trava. E ela se destrava por pouco. O que passou, passou, o que há pela frente é o que importa. Afinal errar é humano. Opss!! Canino. Pois é! Na verdade tchuchuca não é muito diferente dos demais cachorros que estão por aí aos milhares. Ontem mesmo eu observava na rua um cão pulguento e visivelmente faminto agitando a calda alegremente com se fome e pulgas fosse apenas um “detalhe insignificante” diante da grandeza da vida. Sendo assim, se ver sua família feliz não é sua prioridade, se você não os defende com unhas e dentes, se você não tolera mais as pulgas da vida, se você não se perdoa e por isto não perdoa os outros. Se você acha que os seres humanos não merecem créditos. Que tal aprender com os cachorros como eu tenho aprendido. Talvez haja algo realmente divino neles.

sábado, 29 de maio de 2010

QUEM É JESUS







Disse-lhes Jesus: “E vos quem dizeis que eu sou?” Mateus 16.15. Esta pergunta às vezes embaraçosa é feita a dois mil anos e a resposta é sempre muito pessoal. As opiniões se dividem. Quem é Jesus pra mim, numa análise profunda, com certeza, não é o mesmo o que ele representa pra você. Nossas experiências, nossos anseios e, sobretudo nosso momento presente, é sempre fator determinante no definir Jesus de Nazaré. Para um considerável numero de pessoas Jesus é apenas o filho de Maria que nasceu numa manjedoura (estábulo) que esteve entre nós durante trinta e três anos e por três anos consecutivos pregou sua doutrina, e, em razão dela, foi assassinado numa cruz brutal, mais voltará pra julgar povos e nações. Ou seja: alguém histórico como tantos outros. Há também os que pouco sabem de Jesus e pouco querem saber. Mas a pergunta em questão é: Quem é Jesus pra você. Quem é Jesus pra mim. Quem é Jesus pra nós. Acima de tudo pra nós, que tanto necessitamos de respostas que soe talvez como um bálsamo pra amenizar as dores do nosso existir. Nós que temos um coração sedento porque não se sacia bebendo em qualquer fonte. Quem é este homem. Intelectualmente não tenho bagagem alguma pra defini-lo. Minha resposta se processa pela fé. Não ouso explicar Jesus, apenas insisto em imitá-lo, embora reconheça meus limites que me torna uma imitação desbotada do modelo de vida que ele viveu na prática. Quanto a Jesus; há quem diga tambem que ele não existiu. Alguns afirmam que ele é uma invenção de alguns pescadores ou até mesmo do apostolo Paulo. Se assim fosse já seria de cara um grande milagre. Como poderiam alguns homens rudes ter criado um personagem de fé tão consistente, de moral tão elevada, alem de um senso de justiça e fraternidade que continua inspirando gerações. Quem é este homem? Minha fé me diz que ele é o caminho a verdade e a vida. O caminho que seguramente pode nos conduzir a futuro de paz. A verdade absoluta que não se rende e não se vende e a vida que teima em se reerguer mesmo onde a morte reina. Só pelos olhos da fé podemos ver quem é Jesus. Não é preciso um equipamento especial pra visualizar Jesus. Os olhos da fé enxerga sempre pela lente do amor. Esta lente nos revela Jesus nitidamente naqueles que não pensam como nós, naqueles que nos exaltam e naqueles que nos diminuem. Jesus revela-se também naquele bêbado chato que sinicamente nos pede um trocado pra se tornar ainda mais bêbado, nós nos esquivamos e seguimos em frente talvez pra não chegar atrasado à missa ou ao culto. Jesus revela-se naquela nossa vizinha que diz que conhece Deus, mas passa os dias julgando os outros e insistindo em provar “na bíblia” que só a igreja dela conhece o caminho que conduz aos céus. Jesus está aí. Está também nos hospitais, nos presídios, no rico, no pobre, no velho que recorda e no jovem que espera. Está no meu momento e também na sua história presente mesmo que você não o reconheça. Sabe por quê? Porque ele é em resumo a nossa chance de amar de todos os dias. Amar o visível e o invisível. Amar o que é desprezível e o que é incrível. Minha fé me diz que Jesus está no princípio, no meio e no fim de todas as coisas. Ela me diz também que, embora estando em tantos lugares ao mesmo tempo, só existe um lugar onde posso verdadeiramente encontrá-lo. Dentro de mim mesmo. Dentro de mim estão as respostas que preciso. Dentro de mim há um espaço que só Jesus preenche. Ao saber quem sou eu começo a entender quem é Jesus. Minha fé me leva a crer nisto. E você? Quem é Jesus pra você?
MÁRCIO GALVÃO

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A PARTIR DE HOJE


Olá! Sou Marcio Galvão e a partir de hoje neste espaço você vai saber mais, sobre o que penso, o que promovo, minhas expectativas, minha fé, minha música, enfim um pouco de mim como pessoa ou mesmo como cristão . Honestamente espero que a partir das minhas experiências (nada extraordinárias) eu consiga fazer com que você reflita também sobre suas próprias experiências ou quem sabe, sobre o que eventualmente possa estar colocando em risco a tua paz de espírito. Dentre os diversos temas que pretendo abordar aqui, quero começar comentando um fato que ocorreu recentemente numa das minhas tentativas de trazer mais uma ovelha para o rebanho de Cristo. Nesta busca, encontrei um jovem machucado pela vida, que já havia tido uma experiência anterior com alguma comunidade cristã, mas decepcionou-se, e acabou escolhendo outros caminhos que visivelmente não o conduziu a uma paz duradoura. Quanto à religião, ele se mostrava arredio, desconfiado. Apesar de tudo fizemos algum progresso, tanto que ele, num belo dia, se mostrou disposto a visitar nossa igreja. Entretanto, antes que isto se tornasse fato concreto o encontrei numa tarde, com um certo ar de decepção estampado no rosto. Sem muito rodeio o rapaz comentou um fato que também me decepcionou profundamente. Segundo ele, ao visitar alguns parentes, ele se deparou duas moças trocando puxões de cabelo, unhadas e safanões entremeados por frases do tipo:” tá amarrado em nome de Jesus”, “meu Deus é poderoso”, “tudo posso naquele que me fortalece” e outras expressões comuns entre os que crêem. Nem preciso dizer que a festival de baixaria começou por não haver consenso ou mesmo respeito quanto a fé que cada uma delas professavam. Ou seja: eram de igrejas diferentes. A partir dali ficou muito difícil convencer aquele rapaz de que Deus não aprova esse tipo de atitude. Ele se armou de tal maneira, com argumentos contrários a fé, que acabou colocando tudo no mesmo saco. Deus, Igrejas, religiões e principalmente nossas diferenças mal administradas, que muitas vezes nos tornam medíocres diante de Deus e dos homens. Cheio de si aquele Jovem usou comigo uma expressão contundente: “Ir pra igreja pra me tornar isso!!! Com certeza vou ficar pior do que já estou”. Quem em sã consciência poderá dizer que não houve honestidade nas palavras dele. Melhor ser um ateu honesto que um cristão hipócrita. Sem querer julgar, até porque não sou perfeito; mas tudo me leva a crer que um ateu honesto está mais perto do céus que um cristão hipócrita. Se o céu é lugar de paz lá certamente só entrará que está em paz consigo mesmo e com os outros. É preciso lembrar que a maioria das guerras que foram travadas no passado e mesmo as que estão hoje em pleno curso, tiveram origem a partir de uma motivação religiosa. Lideres ou mesmo pessoas que não estavam em paz consigo mesmo e com os outros, viram nos que professavam uma fé diferente uma ameaça real. Olhando assim isso parece coisa lá do oriente médio. Seria bom se fosse assim. Contudo se olharmos atentamente para os métodos de atuação das instituições religiosas nota se, que é quase “no tapa” que se disputa o fiel. Entrincheiramos-nos uns contra os outros numa batalha insana pra provar única e exclusivamente que não há salvação fora da nossa igreja. Contudo, quem é honesto consigo mesmo não se deixa levar por este tipo de discurso. Nada prevalecerá contra uma verdade divina que é patrimônio de toda a humanidade independente da fé que ela professe. SALVAÇÃO SÓ NO AMOR. SALVAÇÃO SÓ EM JESUS. Pensem nisto!!

sexta-feira, 26 de março de 2010



PALAVRAS (Autor: Márcio Galvão)

Palavras podem ferir/Palavras podem curar
Palavras podem destruir/E podem edificar
Palavras tem o poder/De abrir e também fechar
Palavras podem nos prender/E podem nos libertar
Palavras podem trazer/O bem ou o mal consigo
E por entender/Que a palavra tem poder
Hoje eu quero cuidar do que eu digo
Hoje eu quero estar/A serviço da palavra bendita
a serviço da palavra/ hoje eu quero estar.